Após tornar pública, nesta quinta-feira (17), uma denúncia de suposta importunação sexual durante um passeio de jangada na Praia de Pajuçara, em Maceió, um turista carioca de 34 anos decidiu detalhar os momentos que antecederam e sucederam o episódio, ocorrido no último dia 13.
Em um relato encaminhado à reportagem da Gazetaweb, ele descreve desde a contratação do passeio até o retorno à praia e afirma que passou a temer pela própria segurança ao classificar a situação como uma sequência de abordagens de cunho sexual.
Segundo o turista, o caso já foi levado à Polícia Civil (PC), à Secretaria de Turismo e à Ouvidoria da Marinha do Brasil. Ele afirma que decidiu tornar público o relato por preocupação com outros turistas e usuários dos passeios de jangada na capital alagoana.
O homem sustenta que não procurou apenas relatar o que afirma ter acontecido com ele, mas também chamar a atenção das autoridades responsáveis pela fiscalização da atividade turística.
CONFIRA O RELATO NA ÍNTEGRA
Estou em viagem na cidade de Maceió (Alagoas) e no dia treze de setembro de 2026 fui vítima de um crime de assédio sexual na praia de Pajuçara, realizado por um jangadeiro durante o passeio de jangada nas piscinas naturais.
Cheguei à praia de Pajuçara por volta de onze horas da manhã e abordei o jangadeiro “Gordinho” para receber detalhes do passeio. Ele informou que o valor era R$ 70,00, duraria entre uma hora e meia e duas horas, e perguntou se eu faria o passeio sozinho. Sim, respondi, e ele confirmou que não teria nenhum acréscimo de valor por eu estar fazendo sozinho e que me levaria para conhecer algumas piscinas.
No início do passeio ele fez uma piada de cunho sexual e achei que fosse uma brincadeira. Ele pediu ajuda com a âncora, auxiliei puxando-a do mar e seguimos para a piscina. Logo em seguida ele pediu que eu fosse ao fundo da jangada e se sentasse ao lado dele. Perguntei se era por motivos de peso e ele confirmou. Quando me sentei ele passou as mãos nas minhas costas perguntando se eu já tinha passado protetor solar. No mesmo momento minha reação foi me afastar e pedir para que não colocasse a mão em mim. Nesse momento eu já estava desacreditado com o que estava acontecendo e eu sozinho com aquele criminoso no meio do mar.
O assédio continuou. Ele disse que pararia numa piscina especial para que eu pudesse mergulhar. De longe eu avistava dezenas de jangadas em outras piscinas e apenas a nossa jangada numa piscina isolada. Passados alguns minutos na piscina, ele disse que também entraria no mar. Logo em seguida ele me perguntou se poderia nadar junto comigo. Nesse momento eu pedi que ele me deixasse aproveitar o meu momento, aproveitando estar ali. Já não havia “aproveitar”, tendo em vista que eu estava com medo de qualquer coisa que o criminoso pudesse fazer comigo.
Nada intimidou o criminoso de continuar sua atuação, adicionado ao fato de que sou um homem cisgênero, de porte físico atlético, ele perguntou se eu era uma pessoa transexual.
Neste momento perguntei se poderíamos ir para outra piscina e ele se recusou dizendo que não tinha nada interessante em outros lugares. Nessa hora, peguei meu telefone e falei que falaria com amigos para saber se eles gostariam de fazer o passeio e pedi que ele me levasse embora dali. Estava mentindo, claro, foi uma forma de me sentir protegido pois não queria ficar mais na companhia daquele criminoso.
Ele começou a fazer o caminho de volta para a praia, mas falou que poderia me levar numa outra piscina, um lugar onde havia um bar. Topei, já que sabia que lá haveria outras pessoas e ele não poderia fazer nada comigo.
Eu avisei que amigos me esperavam na praia, no mesmo local de partida, e que não ficaria muito tempo na outra piscina.
Durante o passeio o criminoso discutiu com outros profissionais que estavam trabalhando, a causa era por motivos de espaço para ele passar com a jangada, pois os demais tinham motor e ele não. Já próximo à praia, o criminoso discutiu com outros dois profissionais, chamou-os para “resolver o assunto” na areia da praia. Deferiu vários palavrões contra os profissionais, a ponto de um deles dizer que ele deveria respeitar o cliente que estava com ele, no caso eu.
Ele não me respeitou em nenhum momento durante o passeio, colocou a mão no meu corpo, me assediou de várias formas, jamais ele teria a consciência de me respeitar no final do passeio.
Eu estava em choque com tudo o que acabara de me acontecer naquela última hora. Nunca havia vivido isso na pele. Foi horrível e triste. A todo momento pensava que chegando à praia ele me cobraria um valor muito maior do que foi combinado, fiquei com medo dele chamar outras pessoas, fiquei com medo de ser agredido, de ser violentado novamente, temi pela minha vida, tamanha brutalidade o criminoso agia com as pessoas.
Pensei em sair dali e ir direto para uma delegaria, as digitais dele estavam ainda no meu corpo, sendo a única prova concreta de que o criminoso havia me tocado. Decidi mudar de ideia, uma vez que temi a exposição num lugar completamente desconhecido por mim.
Minha única prova são as palavras aqui escritas.
Faço essa denúncia contra o jangadeiro “Gordinho” da praia de Pajuçara pois acredito que não fui o primeiro a ser assediado pelo criminoso e não serei o último. Temo pela integridade física de outras pessoas, outros turistas, outros homens, mulheres, adolescentes e crianças. Meu relato precisa chegar ao conhecimento de autoridades que regulam este tipo de atividade turística na cidade.




